Amamentação e o brinde da virada de ano!

Se antes dos filhos dava pra liberar geral durante as festas de final de ano, agora a coisa mudou!
A relação da mãe com a bebida alcoólica, que parece ser culturalmente liberada nesta época do ano, precisa ser observada. É lógico que pode dar vontade de tomar uma cerveja gelada quando todos à sua volta estão se refrescando com ela. É claro que pode dar vontade de participar do brinde com champanhe, afinal, somos humanas! E não, não existe uma chave que virou quando engravidamos para que passássemos a desgostar de tudo aquilo que nos dava prazer antes da gestação.
Mesmo assim, fazemos um esforço para consumir o mínimo possível de álcool, seguindo as orientações do Guia de amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias do Ministério da Saúde, onde o álcool é classificado como de uso moderado durante a amamentação.
Menella (2001) observou uma ligeira diminuição na produção de leite nas horas seguintes à ingestão de bebidas alcooólicas, mas não se sabe se isto terá um efeito a médio prazo no ganho de peso ou desenvolvimento do bebê. Segundo Gonzales (2014), a concentração de álcool no leite e no plasma é a mesma e pode ser prudente, por garantia, recomendar que a mãe não consuma mais de dois copos por dia e não tente dar o peito quando estiver embriagada (obviamente!).
Acontece que como o álcool possui um efeito significativo na redução dos reflexos, o consumo pode reduzir significativamente o reflexo de ejeção de leite, respondendo menos ativamente à sucção do bebê (Cobo, 1973). Ou seja, o bebê vai sugar e não terá a resposta que está acostumado – vai se irritar e chorar. Além disso, ele pode causar alterações no padrão de sono do recém-nascido, reduzir a ingestão de leite (pelo que expliquei acima), causar hipoglicemia e até trazer prejuízos no desenvolvimento motor (Ho et al. 2001). E como se não bastasse, pode alterar o cheiro e o sabor do leite, fazendo com que o bebê recuse o peito (Manella e Beauchamp, 1991).
Mas tudo isso vai acontecer se eu beber só uma tacinha?
Olha, sabendo que o álcool passa para o leite materno e que pode demorar bastante até que o seu corpo o elimine totalmente, eu considero prudente evitar até mesmo a taça do brinde da virada do ano. Se na gravidez insistimos tanto no consumo zero, essa onda também deveria se estender para a lactação. Mas eu entendo que somos humanas e que ver todo mundo tomando e só a gente ficar de fora é chato demais, especialmente se ficarmos ouvindo “um golinho não faz mal”, “eu tomei quando amamentava fulano e ele não morreu”, e etc.
Particularmente, concordo com Gonzalez (2014) dizendo que insistir demais poderia levar algumas mães a desmamar. Mas aí eu te pergunto (e pergunto a mim mesma também), vale a pena trocar o aleitamento por um copo de cerveja? Eu acho que não!
E a cerveja preta
Pra ser rápida e rasteira, cerveja preta tem menos álcool do que as outras, mas tem álcool também. E não, não dá mais leite! O que dá mais leite para a mãe é a sucção do bebê.
Um beijo e um 2017 com muito tetê!
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s